Esse blog destina-se a um objetivo trivial. Contar a quem interessar possa sobre o treinamento de um quase cinqüentão, ex-sedentário, que resolveu celebrar meio século correndo uma das mais lendárias provas de rua do mundo, a Comrades.
Inventada para homenagear os soldados sul-africanos caídos em combate na I Guerra Mundial, essa ultra-maratona foi disputada pela primeira vez no dia 24 de maio de 1921. Seu percurso de 89 quilômetros liga as cidades de Durban, no litoral, e Pietermaritzburg, quase 600 metros de altitude. Anos ímpares, morro acima. Anos pares, morro abaixo.
Meu compromisso é disputar a 87ª edição da prova, no dia 27 de maio de 2012. De acordo com o regulamento, terei que completar a distância em menos de doze horas, se quiser ter meu nome inscrito na lista de participantes e receber a medalha oferecida aos que concluem essa pequena façanha.
Muitos amigos acham absurdo esse plano. Mas gostei da idéia de chegar aos 50 testando os limites de minha carcaça. Tampouco nego que fiquei atraído pelo simpático nome da prova, além da consigna anunciada na "carta de princípios": "celebrar o espírito humano contra a adversidade".
Não sou atleta, diga-se de passagem. Jornalista, quando bati nos 40 vivia mais tempo sentado ou deitado do que de pé. Pesava mais de 95 quilos. Sofria tenebrosas crises asmáticas. Sentia minha disposição física indo para o ralo. Um belo dia, lá pelo ano 2000, resolvi me inscrever em uma academia. Voltei a tomar gosto pela prática esportiva, abandonada no final da adolescência.
Oito anos depois e quinze quilos a menos, malhando e correndo em esteira de quatro a cinco vezes por semana, um professor me convidou para correr minha primeira prova de rua, em setembro de 2008. Eram apenas 5km e pouco, parte da Maratona de Revezamento do Pão de Açúcar. De lá para cá, já participei em mais de uma dúzia de eventos oficiais. Cheguei a maio de 2010 como um meio-maratonista medíocre mas esforçado: tinha completado a Meia Maratona Corpore, dia 11 de abril, em 2h04.
Estava a caminho de minha primeira maratona, prevista para julho, quando caí duas vezes seguidas no mesmo local, na avenida Sumaré, onde costumo fazer meus treinos. Completei a planilha do dia, mas estava com a perna arrebentada. Fui para o estaleiro.
Quando me recuperava, começou a campanha eleitoral e achei mais importante me dedicar de corpo e alma, como tantos outros, à batalha para derrotar as forças conservadoras e eleger Dilma Rousseff. Não me arrependo, foi um belo e feliz combate. Mas perdi todo o meu condicionamento e ganhei mais de dez quilos. Foi a conta de seis meses parado.
Reiniciei meus treinos dia 29 de novembro, 540 dias antes da Comrades que pretendo disputar. Minhas peripécias até lá serão contadas nesse blog, desenhado pelo meu sobrinho Gustavo Neno Altman, cujo único pecado é ser corintiano fanático.
Ah, quem quiser mais detalhes sobre a Comrades, pode clicar no site oficial da corrida, www.comrades.com.
Nota-se, no blog - muito bem vindo - a elegância do traço de um corintiano.
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